O que?, enquanto não chegar a 250, 300 a gente não vai fazer show ...
Ahh é sim, se não vai ficar aquele bando de gente gritando: Toca "ainda é cedo" e Não, a gente quer tocar as músicas novas" (Renato Russo - Acústico MTV)
Pois é, músicas novas ... o difícil de você estar em uma cidade do interior do estado do MS, em que a cultura é totalmente agropecuária, e a música das rádios soa 98% sertaneja é que sempre tem um infeliz pra gritar lá no fundo: Toca Raul, Toca isso, toca aquilo, e você tenta manter a personalidade e tocar aquilo que você gosta, mas se sente atingido pelo olhar de ignorância daqueles que te ouvem.
Como doeu aquele comentário "Nossa que música é essa? seguido daquele super olhar de desprezo" -
Nesse momento deu vontade de falar no microfone - Zé Ramalho, Kryptônia!! Você devia ouvir mais coisas além de Chão de Giz. Mas enfim, me contive!
A música nos traz muita coisa além de uma melodia agradável, dançante ou reflexiva, ela carrega significados desejados pelo compositor, desperta significados no ouvinte, é um conjunto de sentimentos que podem querer dizer muito ou dizer nada!
A música é para preencher e também para esvaziar!
É acompanhante de um bom vinho, de uma cerveja gelada, ou de um tereré sem a menor pretenção numa tarde de calor!
Música para limpar a casa, lavar o carro, sair com fulano, cada um tem a sua música no seu momento!
São tantas as músicas boas e todo mundo só pede a mesma coisa!
Não adianta reclamar que na cidade só toca sertanejo, se todas as vezes você fica em casa bebendo com os amigos ao invés de prestigiar os poucos que restam em suas apresentações!
É uma relação de reciprocidade, o músico estuda e se dedica, para fazer algo que faça a diferença na noite das pessoas, mas parece que cada vez mais, os pensadores estão ficando em casa, os ouvintes de Jim Morrisson entre muitos outros mitos estão em um momento egocêntrico. Se esquecem que nós também dependemos do seu talento, dependemos da sua capacidade de saber apreciar uma boa música.
Para esses sim é legal tocar Raul, por que vai fazer sentido, e não vai ser pelo modismo.
Enquanto isso vamos tocando sempre "ainda é cedo" por que temos cada vez menos eventos, por que cada vez o público é menor, por que quem nos ouve já não se importa com mais nada além da sua exclusiva forma de ser livre, sozinho, na solitária egoísta roda de grandes amigos que já não fazem mais a diferença ali do portão pra fora!
